Desde ontem, no início da tarde, todas as empresas jornalísticas do país sabem que o que desencadeou o apagão na noite da última terça-feira foi algum problema na linha de transmissão entre Foz do Iguaçu e São Paulo, mais precisamente no trecho que liga Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e Itaberá a Tijuco Preto (SP). Há rumores de que a situação naquele trecho é tão crítica - por falta de manutenção desde 1997 - que qualquer brisa pode causar um estrago enorme por lá. Portanto, o que está faltando para uma dessas empresas alugarem um helicóptero e mandar uma equipe para o local, de preferência com um engenheiro eletricista especializado em redes de transmissão a bordo? O que falta é que aquela é uma das regiões mais pobres do estado, esquecida pelo poder público. Lá não existe empreendimentos, patrocinadores, consumidores, nem imprensa. É uma espécie de 'apagão geográfico regional'. Chegar lá é difícil e custa caro. Esta é a grande reportagem que está a espera para ser feita. Quem sabe com um pouco de sorte não tenhamos notícias mais precisas sobre o estado de conservação daquele trecho e mais, o que exatamente aconteceu na noite da última terça-feira. Faz quase quarenta e oito horas que os jornalistas especulam, testam hipóteses, ouvem especialistas (por telefone) e não fazem reportagem. Esse é o jornalismo que fazemos hoje no Brasil, minha gente, e pior, com a minha cumplicidade.
12.11.09
Desde ontem, no início da tarde, todas as empresas jornalísticas do país sabem que o que desencadeou o apagão na noite da última terça-feira foi algum problema na linha de transmissão entre Foz do Iguaçu e São Paulo, mais precisamente no trecho que liga Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e Itaberá a Tijuco Preto (SP). Há rumores de que a situação naquele trecho é tão crítica - por falta de manutenção desde 1997 - que qualquer brisa pode causar um estrago enorme por lá. Portanto, o que está faltando para uma dessas empresas alugarem um helicóptero e mandar uma equipe para o local, de preferência com um engenheiro eletricista especializado em redes de transmissão a bordo? O que falta é que aquela é uma das regiões mais pobres do estado, esquecida pelo poder público. Lá não existe empreendimentos, patrocinadores, consumidores, nem imprensa. É uma espécie de 'apagão geográfico regional'. Chegar lá é difícil e custa caro. Esta é a grande reportagem que está a espera para ser feita. Quem sabe com um pouco de sorte não tenhamos notícias mais precisas sobre o estado de conservação daquele trecho e mais, o que exatamente aconteceu na noite da última terça-feira. Faz quase quarenta e oito horas que os jornalistas especulam, testam hipóteses, ouvem especialistas (por telefone) e não fazem reportagem. Esse é o jornalismo que fazemos hoje no Brasil, minha gente, e pior, com a minha cumplicidade.
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18 doladodecá:
não seria a Record, a última esperança??? iria arrasar....
com a concorrência q, por sinal, voltou a falar mal do bispo.
E os grandes jornais não sabem porque estão perdendo leitores.
Um blogueiro não tem condições de fazer uma reportagem dessas.
Os grandes jornais sim!
As grandes reportagens são o grande trunfo dessas empresas mas é mais fácil consultar um especialista por telefone.
Marco, beleza? Olha, tudo indica que é para ficar escondido mesmo!! Como vc disse, uma das regiões mais pobres do Estado de São Paulo, governado há cerca de 15 anos por aquele partido...
Parabens pela iniciativa do blog!!
No jornal da Band mostrou uma foto com os problemas da torre atingida. Quem tirou a foto. Ô editor, manda sua equipe lá.
Vou discordar um pouco. Como leigo, e bem pronto a retirar o que disse.
Se o sistema fosse realmente frágil, teria caído mais vezes, o abandono governamental do sul de São Paulo é bem antigo (bem mais antigo do que o próprio governo PMDB-PSDB).
Segundo, ouvir especialistas (de fato, e não políticos indicados) é fazer jornalismo de primeira. É só lembrar que não existe especialista neutro, nem ciência neutra, e dar a procedência do entrevistado junto com a notícia. Mantem-se certa imparcialidade (ou isenção) e acumula informação.
A questão do apagão em si me parece 'tempestade em copo d'água'. Fácil, fácil de virar factóide (basta extrapolar suas consequências). Dimensionar o problema para suas reais dimensões - mesmo que sem definir a causa específica - para mim é bom jornalismo.
Enfim, não sou nem engenheiro elétrico, nem jornalista, mas desde a última vez que conferi, sou cidadão brasileiro e, por mim, saber exatamente o que houve é secundário, o importante mesmo é saber se temos garantias que não se repetira (ou seja, há planos, projetos de melhorar a estabilidade? Sem elevar o preço da energia?)
Marco,
Trabalhei quase 30 anos numa das maiores emissoras de TV do Brasil, diretamente ligado ao Vice Presidente Geral. Ontem, alertei o Azenha sobre o fato de que a TV Record está deixando ser atacada sem resposta por outra emissora e um jornal, mas mesmo assim, ainda apresenta comerciais do referido jornal. A seguir à noite o Jornal Nacional atacou de novo a TV Record (proximidade do sucesso e líder de audiência do lançamento de A Fazenda II?)
Mais uma vez, o que vai fazer a TV Record? Nada? E as pérolas de Alexandre Garcia, Lucia Hipólito sobre o apagão que o Portal Terra publicou? A TV Record não vai fazer nada? Já alertei várias vezes até o PHA. Todo o mercado publicitário sabe...se o candidato apoiado pela TV Globo vencer a eleição a TV Record jamais chegará a líder de audiência e pior...poderá ser o novo SBT....eterna vice-líder de audiência...
Oi, Mello tú ta falando pra nós o que tem que ser feito..........falou isso pro pessoal da RECORD?
Se, sim....vou esperar uma BIG reportagem no próximo DOMINGO ESPETACULAR........
Se, não....vão ficar nos devendo a VERDADE....aí só nós resta os FACTÓIDES de sempre.
Um abraço!!!!!!!!!!!!
Vanda.
Olá Marco,
Por gentileza, avise-nos quando a Record exibir esta matéria. Ou pelo menos o link do R7.
Abs.
Prezado Marco, nunca havia comentado antes no seu blog e gostaria, de antemão, afirmar que adoro o estilo e os textos que aqui são veiculados, sobre a banda podre do jornalismo que infesta as Organizações.
Contudo, deixo minha crítica à Tv Record, que em nada está a dever a qualquer outra emissora componente do PiG, seja no estilo, seja no conteúdo jornalístico e das reportagens sobre os temas cotidianos. Parece até mesmo que aderiram ao PUM do PiG, conforme Paulo Henrique tanto anuncia e repudia.
A palavra do momento para a mídia televisiva e jornalística é: escândalo. Qualquer coisa que possa parecer ou afigurar uma polêmica, tem que extirpar até a última tripa, para expor aos telespectadores e leitores. Lastimável, para dizer o mínimo.
Grande abraço, acredito em você.
É... esse " apagão" vai render. O duro é que não vamos saber, de fato, o que houve pq o Governo vai encerrar o assunto e mídia e/ou oposição vão atrás dos dividendos políticos do blackout.
Qto as postagens sobre os novos ataques da Globo a Record, concordo que tenha que haver uma reação mais efetiva. P.ex. A Record acionou a Globo? O MP investigou as acusações da Record? Acho legal fazer uma reportagem, mostrando a inércia do Poder Público em relação a Tv Globo.
Aliás e a propósito, com relação ao tal episódio da jornalista da Record " invadindo" o link da Globo, depois de assistir ao vídeo no youtube, mudei de opinião. No lugar da repórter, teria feito a mesma coisa. A ética é delas ( emissoras), o que descabe é o cidadão, depois de 4h no breu ficar esperando informações pq a autoridade constituida, está a parada em pé, com cara de paisagem à mercê dos últimos retoques de uma emissora. Fala sério.
Marco - só pra reforçar: hoje cedo ouvi meu porteiro dizendo q a Globo ´vai descobrir´(=´está sendo muito investigativa!´) a causa do apagão, q não deve ter sido ´um raio´(sic).
Respondi a ele q era pra aguardar a reportagem da Record - q nessa, ele
poderia acreditar!
Aguardamos, todos, ansiosos, ptto. torcendo muuito pela Record!
obs: não tenho TV há uns 2 anos,
mas se a Record fizer essa reportagem, juro q volto a ter.
salve, marco,
pelos comentários, meu camarada, o jornalista tem mais é que correr pra redação da tv record e convencer seus editores da justeza da reportagem.
tá esperando o quê? por gentileza, caia em campo. a blogosfera agradece de antemão, viu?
abçs
Marco, leve a proposta a sua emissora, a fazer tal reportagem. Seria um tiro no pé da concorrencia e ainda levariam um belo aplauso da população. Audiência e respeito se conquista com ousadia! Abs. Lucia.
O Tribunal de Contas da União detectou erro nas contas de luz dos consumidores brasileiros.
O “erro” no reajuste das tarifas acontece desde 2002 e pode ter causado um prejuízo de R$ 7 bilhões aos consumidores. SETE BILHÕES!
Horas e horas de conversa mole no rádio, na tv e nos jornais.
Um monte de especialistas especuladores espetaculosos.
Adoraria ver uma reportagem isenta no local onde aparentemente foi o motivo do blecaute.
Mas gostaria ainda mais de ver uma reportagem informando todo o povo brasileiro que ele foi roubado e principalmente onde está o dinheiro. SETE BILHÕES!
Poderia haver alguma relação entre os fatos?
Abraço.
Continue com as histórias.
Os comentários que fazem provocações ou alegações sem provas contra qualquer emissora são vetados, ok?
Olá Marco. Não precisa publicar esse meu comentário. É apenas pra retificar o comentário que eu tinha escrito antes e que foi vetado.
Na verdade eu parabenizo pela ousadia de se fazer jornalismo de verdade como está sendo o caso da Rede Record hoje, e que isso se deve ao fato de que ela investiu não so dinheiro na infra-estrutura de suas emissoras mas principalmente que investiu em pessoas. Profissionais competentes e que prezam por um jornal imparcial, isento e no melhor jeito de informar a população. Imagino o quanto está sendo difícil e ao mesmo tempo desafiador, visto a grande influência sobre a população dos grandes veículos de comunicação (Globo, Band, Veja, etc...)que claramente manifestam-se em suas pautas e matérias um viés ideológico (sempre a favor da ordem econômica e política favorecedora dos detentores de grande capital).
Mudar isso, tirar a audiência deles, imagino, deva ser como mexer em um vespeiro.
Mais uma vez parabéns a jornalistas que prezam pela sua profissão, e que nos mostram como é importante o acesso da sociedade a informação e a defesa da profissão de jornalismo, pautado na ética e no bem informar.
O meu comentário não foi na tentativa de desqualificar o trabalho jornalístico da Record, que tem se mostrado muito bom se pautando e posicionando de maneira diferente de outros jornais da grande mídia, com mais isenção procurando uma compreensão mais sólida do fato (ao invés da espetacularização da notícia, da criação de polêmicas, da novelização da política, etc.) e ousando em abordar temas e reportagens deixadas de lado por outros veículos de comunicação (como no caso da série de reportagens sobre moradores de ruas, essa agora sobre o lixo nas periferias, entre outras).
A minha indagação, e quanto à isso não espero uma resposta, mas apenas uma reflexão, talvez num futuro comentário seu se for possível, é sobre o controle dos meio de comunicação (no caso uma emissora de televisão) a favor de determinado interesse particular (e não público, como era de se esperar de uma concessão pública). Como ocorre (ao meu ver) claramente nas organizações Globo e Band, e que a Record felizmente se mantém alheia a isso. Mas, por uma opinião pessoal minha, eu não acho que uma igreja deva ter tanto poder de informação como está tendo a Igreja Universal, e imagino que um dia, se ela conseguir se tornar realmente poderosa e influenciadora essa isenção e imparcialidade jornalística poderá deixar de existir e acabar acontecendo o mesmo que aconteceu com você na Rede Globo, as manipulações e distorções de edição e da notícia para favorecer determinado interesse privado.
Esse grande brindar de novos ventos (merecidíssimos) trazidos pelo jornalismo da Rede Record não corre risco de se sucumbir num futuro próximo, ou então esse momento de "renascimento" jornalístico está conseguindo ganhar força, adesão popular (como espero que ocorra na Confecom) e manterem uma independência dos meios a que estejam submetidos (Tv, jornais, rádios, públicos ou não, etc...)?
Eu espero que estejamos indo em direção a segunda opção em que junto com um a força do bom jornalismo e da democratização dos meios de comunicação mais a Internet com seus blogs diversos, possamos passar longe do obscurantismo da informação que infelizmente acometeu grande parte dos grandes veículos de informação.
É apenas uma inquietação que eu tenho (podendo ou não ser uma possível reflexão futura para o blog).
Obrigado e até mais,
Eduardo
Espero que não dê uma peemedebização na Record, que ela vá até esse local e aproveite e mostre a pobreza existente nessa região.
Um abraço.
Marco Aurélio, mais uma observação sobre o que a cobertura do apagão revela: moro em Brasília e aqui (como em outros "lugarejos perdidos" deste país, a exemplo de Ribeirão Preto, Campinas) não ocorreu o apagão "nacional". Tentei obter notícias sobre a situação (extensão, possíveis causas) nos portais da imprensa regional (Jornal do Commercio, A Tarde etc.). Resultado: nada. Nenhuma notícia durante a ocorrência. O que me levou a quase compor um réquiem para a imprensa regional. Como diz o Nassif, a produção da notícia é o principal desafio para uma imprensa isenta e atuante.
E essa matéria sobre as regiões mais pobres do estado de São Paulo é fundamental para combater os mitos da locomotiva, sobre os quais se assenta a discurseira da "jestão" peessedebista.
Se eu, em virtude do apagão, me senti marciana - pois não fiz parte desse fato "nacional", como se sentem os moradores desses rincões do "estado mais importante do país"? Em tempo, sou paulista e paulistana, portanto, não posso ser chamada de xenófoba!
Abraços e força na briga pelas pautas!
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