Começo a ficar irritado com observadores e analistas que se declaram preocupados com o “uso político” de determinados acontecimentos. Pergunto a origem desse comportamento.
Recentemente até políticos se pronunciaram contra o “uso político” do
despejo de moradores do Pinheirinho.
despejo de moradores do Pinheirinho.
Um número imenso se revela incomodado com o “uso político” das UPPs no Rio de Janeiro. Idem para a Cracolândia. Para a taxa de juros.
O Bolsa-Família já foi muito criticado por seu “uso político.” O argumento era assim: “a idéia não é ruim. O problema é o uso político.”
Com esse argumento, procura-se separar o eventual benefício de determinada proposta daqueles dividendos (ou prejuízos) que ela poderia gerar às autoridades. Faz sentido?
Numa sociedade democrática, é natural que erros e acertos produzam efeitos políticos. Isso porque as pessoas se informam, têm liberdade para julgar, dão opinião, tomam partido, discutem. Seria hipocrisia fingir que não é assim.
Ousaria até dizer que a grandes ações e propostas dos governantes do mundo inteiro nascem como idéias políticas que, cedo ou tarde, serão usadas politicamente. A favor, quando dão certo. Contra, quando dão errado. O jogo é esse.
Quando pode desfrutar de liberdades públicas, uma sociedade faz “uso político” de tudo, o tempo inteiro. Quando fala de um buraco na rua, do aumento da violencia, da queda no desemprego.
Mesmo quem procura apoio em análises de caráter técnico — que sempre são as melhores num debate produtivo — também não deixa de fazer uso político dessas informações.
Mesmo quem procura apoio em análises de caráter técnico — que sempre são as melhores num debate produtivo — também não deixa de fazer uso político dessas informações.
As queixas contra o “uso político” são uma forma de “uso político” também.
É um recurso para desqualificar o argumento do adversário como interesseiro, desinformado, panfletário e, simultaneamente, dar um verniz desinteressado, técnico e maduro para o próprio ponto de vista.
Com uma retórica paternal, ou professoral, ou ambas, encobre-se a própria opinião política para assumir a postura de quem está acima do debate dos simples mortais. É uma forma de sugerir um saber superior, inalcançável para o cidadão comum.
É um recurso para desqualificar o argumento do adversário como interesseiro, desinformado, panfletário e, simultaneamente, dar um verniz desinteressado, técnico e maduro para o próprio ponto de vista.
Com uma retórica paternal, ou professoral, ou ambas, encobre-se a própria opinião política para assumir a postura de quem está acima do debate dos simples mortais. É uma forma de sugerir um saber superior, inalcançável para o cidadão comum.
Sugestão da amiga jornalista Márcia Cunha

4 doladodecá:
Completaria o último parágrafo do texto com: ou até mesmo "uso politico".
Uso político é o quê não falta na mídia "limpinha", perfumada, em favor próprio.
Abraço,
“NÃO EXISTE LEI EM SÃO PAULO. NÃO EXISTE LEI NESTE PAIS. CADA UM FAZ O QUER”
Defensoria Pública de São Paulo desmonta toda a história oficial sobre o Pinheirinho
por Conceição Lemes – Viomundo
2 de fevereiro de 2012 às 23:13
Os deputados estaduais Adriano Diogo (PT) e Carlos Giannazi (Psol) promoveram nessa quarta-feira audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo para discutir a situação dos despejados do Pinheirinho.
Participaram ex- moradores do acampamento, entidades e movimentos sociais, representantes do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), da Defensoria Pública e do Ministério Público do Estado.
O depoimento do defensor público Jairo Salvador desmonta toda a história oficial sobre Pinheirinho.
“Finalmente, alguém explica de forma clara, nua e crua, todo o imbróglio jurídico envolvendo o Pinheirinho”, afirma Adriano Diogo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alesp.
“Um depoimento corajoso, que põe por terra desde as justificativas legais para a reintegração de posse até a da derrubada das casas. ”
Assista-o:
http://www.youtube.com/watch?v=YXI6LHGFGxg&feature=player_embedded
Oi MAM!
Se a gente for parar pra pensar no termo, é a coisa mais simples da vida em comunidade.
Se eles querem que a gente não se preocupe mais com isso já são outros quinhentos...
GREVE DE FOME NA PORTA DA GLOBO NÃO É NOTÍCIA?
Completa uma semana, no próximo domingo, que o ativista Pedro Rios Leão, se algemou na calçada em frente à TV Globo, e está fazendo greve de fome.
Ironia do destino: Rios quer chamar a atenção da Mídia. Esta corre dele como o diabo da cruz. Sua greve é contra o pacto de silêncio entre a mídia e o governo paulista.
Dom Luiz Flávio Cappio fez greve de fome na Bahia contra a transposição do São Francisco. A mídia nacional montou ali um verdadeiro circo para cobrir o caso.
Atores da Globo como Letícia Sabattela, Vereza e Osmar Prado foram até o Senado pelo padre.
Anthony Garotinho fez greve de fome. Lá estava a mídia.
Lembram-se daquele político cubano, o Wilman Villar Mendoza, que morreu em um hospital de Santiago de Cuba? Que cobertura da nossa prestimosa Mídia brasileira. Era Globo, Veja, Folha..todo dia.
Até a greve de fome da personagem Nenê, da Grande Família, fez mais sucesso. A notícia sobre o epsisódio saiu na mídia.
Por que a greve de fome do cineasta e estudante de jornalismo da UFRJ, Pedro Rios, não chama a atenção da mídia?
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